11.13.2005

Ventos de S.Roque # 9 - EMA, EM: Um Projecto Esgotado?


A Estádio Municipal de Aveiro, Empresa Municipal foi constituída com um objectivo bem definido, construir em tempo útil todas as infraestruturas necessárias à realização do Euro2004.

A solução adoptada não foi aquela que mais se adequa ao fim a que este equipamento se destina, ou seja, ás necessidades do clube residente e isto porque, o seu lay-out respeitou os requisitos do campeonato da europa deixando para plano secundário a funcionalidade necessária ao clube residente. Ao contrário de todos os outros, excepto o de Braga e Algarve, foram concebidos para os clubes residentes e adaptados para os dois ou três jogos do Euro2004. Independentemente desta opinião pessoal, a EMA cumpriu um dos seus objectivos: garantir as condições para a realização desse evento que a todos nos orgulhou.

A EMA tinha ainda outros dois grandes objectivos protocolados com o Sport Clube Beira Mar:
1-Concluir o centro de formação.
2-Construir os campos de treino e equipamentos de apoio(balneários) nos terrenos adjacentes ao estádio.
Estes objectivos complementares enquadram-se naquilo que entendo ser estratégico para o clube, ou seja, disponibilidade dos equipamentos necessários à prática desportiva e racionalização de meios. Esta solução tem ainda a vantagem de dinamizar uma nova centralidade urbana e a rentabilização de outras valências no estádio. Ao contrário de opiniões recentes sobre a vantagem de um centro de treinos num local diferente, tal como tem o Sporting, Porto, Benfica etc.., acho que a solução que preconizo é muito mais adequada, aliás, os clubes que têm essas infraestruturas distantes dos seus estádios só não as fizeram na área adjacente por falta de espaço, o que não se passa neste caso, o espaço existe, existe o projecto e o compromisso. Esta seria uma solução impar para um clube com formação e futebol profissional.
O projecto financeiro para assegurar os custos resultantes da construção deste centro de treinos passa pela libertação dos terrenos do antigo estádio e campo de treinos, solução prevista no protocolo estabelecido com a CMA.
Justifica-se a EMA,EM pela necessidade de concluir os objectivos previamente definidos.
A EMA,EM assumiu entretanto outra actividade: a gestão desta infraestrutura. O objectivo era amortizar o investimento com os resultados de exploração. Estabeleceu um contrato com o Beira Mar em que este lhe vende o espectáculo desportivo e a EMA tem como receita a venda de determinados lugares(camarotes, tribunas) e explora as diferentes áreas comerciais e publicidade. Refira-se que este contrato foi elaborado com base no modelo económico definido pela EMA. Ora, o que pode verificar através da análise ao relatório de gestão relativo ao exercício de 2004 e mesmo com o Beira Mar na liga principal, os resultados sem as receitas extraordinárias do Euro2004 são negativos. Uma das razões é a que a marca BeiraMar tem dificuldade em vender mas a marca EMA pouco ou nada vende.
Se a EMA tinha um problema, pagar o investimento, fica agora com outro, o déficite na exploração.
A EMA,EM não se justifica. A CMA deve assumir a dívida e protocolar com o Sport Clube Beira Mar as condições de cedência destas infraestruturas. Mesmo que a CMA tenha que suportar alguns custos de manutenção, pode poupar cerca de 50% do valor que actualmente lhe custa.
A CMA e ou EMA não estão vocacionadas para a gestão de equipamentos desportivos. Devem financiar esses equipamentos e estabelecer contratos-programa com regras claras com as respectivas associações ou clubes para a sua utilização. Acresce ainda a duplicação dos custos com os recursos humanos e a dificuldade de convivência de duas entidades no mesmo espaço fisico
As conclusões:
1-A EMA,EM justifica-se apenas até à conclusão do centro de formação e treino.
2-O centro de formação e treino deve ficar junto ao estádio.

Aveiro, 11 de Novembro de 2005-11-11
A. Roque

11.12.2005

E o nosso próximo artigo vai ser sobre....


Momento Cultural!

Pois a imagem anexa é uma foto de uma EMA (Moluna emeu ou eme), s.f. ave pernalta corredora que se assemelha à avestruz;

O nosso próximo artigo fala de outra EMA, que será tudo menos "corredora".

11.11.2005

Academia e Centro de Estágios na Gafanha ???


"A actual direcção do Beira-Mar quer construir uma academia de formação e um centro de estágio nas matas da Gafanha, no concelho de Ílhavo. Segundo o presidente do clube, Artur Filipe, o local oferece «condições óptimas» para o empreendimento. «É uma zona de pinhal, junto à praia e perto de Aveiro», resumiu." (in D.A. terça 8 Nov 2005) .

Bom, não sei que diga.
Sinceramente se o Estádio Municipal de Aveiro é apedrejado por tantos como um péssimo investimento, ou criticado pela sua localização (distante da cidade) ou por ser isolado, não entendo então como se pensa separar deste, principalmente, a formação - ou seja, a Academia!

Até porque bem ou mal parte dela já existe lá. Bem sei que não é um exemplo formidável (pelo menos o que está feito) mas para quem não saiba já lá estão por baixo da Bancada Nascente os balneários, salas de descanso, camaratas,... Certo é que não têm janelas para o exterior mas parece-me que facilmente se encontrariam soluções (foram estudadas no passado).

Se esse dinheiro já foi gasto, vai então ser esquecido, ignorado??

E que se passou com o relvado de treinos que já estava ser feito?? A terra foi mexida mas e agora??? Ou era só para mostrar serviço por parte da CM Aveiro?? Ou da EMA? Ou até da nova direcção do BM?? Parecia ser tão fácil....

Mas insisto que me parece que deverá a zona envolvente ao Estádio Municipal tornar-se também ela (como está no Plano para o local) uma zona predominantemente do Beira-Mar, dos seus atletas, dos pais destes, dos jogadores profissionais, etc...!

Não seria esta uma boa forma de atenuar o efeito "quinzenal" dos jogos em casa? Trazendo jogos e treinos das camadas jovens para a zona, bem como todos os treinos do plantel porfissional?

(Se passar da Mário Duarte para Taboeira foi uma tragédia grega em 3 actos, então o que será passar para a gafanha...)

O Centro de estágios ainda poderia entender que fosse fora desta zona. Ainda que não se possa comparar a situação do Beira-Mar, ou melhor da envolvente do novo estádio, com a situação de Estádios como o da Luz, Alvalade ou Dragão em que simplesmente não haviam terrenos na sua envolvente com dimensão para tais infraestruturas (e para clubes da dimensão destes) ou se os havia seriam carissimos. Mas no caso do Municipal de Aveiro... os terrenos estão lá, estão no Plano, foram reservados para esse efeito. A menos que se esteja a pensar transformar estes terrenos também em Zona Edificável!!! Pressões Imobiliárias?!

Gostaria de saber a opinião dos nossos visitantes sobre este assunto. Esta aberta a discussão ( se o Pedro Neves entender que este assunto pode ser discutido neste blog, senão não escrevo mais nada...)

Saudações,

André Apolinário

11.09.2005

Tachos ao Vento # 3


Como vem sendo habitual, após os nossos jantares de confraternização (sim, porque não lhe devemos chamar reuniões, verdade Sr. Paulo Coelho “Azurva” ?!), apresentamos uma crónica sobre o restaurante escolhido e as suas iguarias. (espero que o Sr. João Francisco tenha “paxorra” para aturar estas crónicas, já que provavelmente, como ele disse, seremos os únicos a lê-las)

Desta vez tinha essa responsabilidade o Dr. João de Sousa, e na linha dos restaurantes típicos da região, escolheu o famoso Batista do Bacalhau.

Escolha bem aceite por todos, pois quem não conhece esta casa em Vilar, tão afamada pelo seu bacalhau assado com batatas “a murro”.

Mortinhos para pôr a conversa em dia, uma vez que tanto mudou em Aveiro desde o nosso último encontro “oficial”, lá nos sentamos à volta de uma mesa (na parte “nova”, no rés do chão - bem distinta da primeirinha sala de que me lembro - onde éramos servidos directamente pelo Sr. Batista com a ajuda da sua filha e da restante família - agora reservada para alguns habituées em dias de maior afluência mas já com algumas remodelações em cima) por onde passaram umas boas pataniscas de bacalhau, uma chouriça assada (boa mas até nos pareceu descabida neste restaurante) e como prato principal, como não podia deixar de ser, o verdadeiro bacalhau assado “à Batista”.

Que posso dizer?
Bom, que esta casa sofreu variadíssimas remodelações, ampliações, melhorias, ao longo destes anos de serviço, que as caras dos funcionários se vão sucedendo (mantendo-se sempre a família “ao leme” desta casa), que Vilar já não é uma aldeiazeca perdida nos arredores, estando completamente urbanizada, que muita coisa mudou mas o bacalhau, esse, continua a ser uma especialidade. A qualidade deste foi sempre muito boa, o azeite – importantíssimo - magnifico, as batatas são de chorar por mais (a quem goste mais das batatas do que dopróprio bacalhau), a brasa está sempre no ponto e no ponto está sempre o bacalhau depois de assado.
Continua a valer a pena, sem sombra de dúvida.
Uma referência nesta nossa cidade.

Apenas um pequeno reparo: pela primeira vez achei que estava um pouco ensosso, talvez um pouco demolhado demais.
Fez-me lembrar um comentário à nossa pequena noticia sobre a vitória do Beira-Mar e sobre o resultado do Futsal/Sènior que também pecava por insípido mas, neste caso, também por inoportuno e até - prefiro pensar - irreflectido. Ficamos a saber que afinal existe uma espécie de “Alta Autoridade para a Comunicação…Bloguista” que define o que deve ou não ser abordado em cada blog!!

Enfim, voltemos ao Batista do Bacalhau que merece mais atenção:

Pois não desta vez, mas em outras ocasiões, comi outras especialidades desta casa das quais destaco o leitão (quando encomendado e solicitado o “capricho” na confecção) e o cabrito assado. Ambas muito boas.
Também deixo uma nota sobre o serviço de encomenda e “take-away” que disponibilizam, bem útil para quando se pretende uma boa refeição em casa sem o trabalho de a ter de preparar.

O espaço é agradável e bem menos barulhento que a sala de cima. O serviço eficaz.

E assim esteve bom o ambiente para a conversa fazer um périplo por temas como:

o nosso Rua do Vento, a sua pouca actividade (fica o nossa “Mea Culpa” colectivo e a promessa de alguma agitação em breve), os comentários pertinentes de alguns visitantes e uns mais descabidos de outros;

o Beira-Mar (que também é nosso), os seus últimos jogos, contratações, opções de gestão, etc…

as eleições autárquicas e seus resultados surpresa (para alguns);

a “dança das cadeirinhas” nos lugares da C.M. Aveiro, EMA, PDA e outras que tais;

a situação precária de alguns clubes da segunda divisão (e não só),

temas estes que serão, certamente, abordados nos próximos textos deste espaço.

Até lá, bom apetite

Saudações do Rua do Vento,

André Apolinário

11.07.2005

E novamente: Parabéns Beira-Mar!!!


E mais uma vitória!!

Ninguém para este Beira-Mar.

Destaque também para a vitória da equipa sénior de Futsal que segue em frente na taça.

10.28.2005

"E o vento convida... Jorge Maia Valente


Para a primeira crónica de autor convidado, temos o prazer de publicar este texto do Jorge Maia, jornalista, ex-director de comunicação do Sport Clube Beira-Mar. Um texto muito interessante a provar que quem sabe....sabe!



O futebol mudou

O futebol mudou. Antes havia onze jogadores para preencherem os espaços do campo a defender, preencherem os espaços do campo a atacar. Tinha espaço vazio para jogar com e sem bola. Agora não. Tem espaços ocupados para jogar com bola. Correm os jogadores. A bola não. Anda feliz da vida, a roteiro. Tem diagonais, bloqueios, rupturas. Duas linhas. Nove metros. Diz-se que vai ter uma rede a meio para intensificar o futebol directo.

O futebol mudou. Antes tinha Artur Agostinho na telefonia. Agora tem um gostinho a cerveja e tremoços no sofá. A dois euros. Quatrocentos paus, o preço do «olha a superior para a bola».

O futebol mudou. Antes havia guarda-redes que eram guarda-redes porque sabiam defender para lá dos postes. Agora há guarda-redes postergénicos. Tinha Torres, Coluna, Eusébio, Pavão. Agora tem craques todos os dias. Tinha Violinos. Agora tem tambores. O Joselito a cantar nas bancadas do «Violas». Agora tem o emplastro preocupado em dizer quem é o pai dele.

O futebol mudou. Antigamente havia o Rappan, o Rinnus, o Bearzot, o Goethals. Agora há o José Mourinho, o José Vitor Pontes, o José Couceiro, o José Gomes, o José Carlos Carvalhal. Há, também, o José Paulo Sérgio, há três meses atrás, o José Luís Castro. E outros Luíses. Um é Lobo.
O futebol mudou. Antigamente não tinha campo pequeno, excepção feita na tourada. Agora, além do campo pequeno tem campo grande, onde se assistem a grandes touradas, as linhas de passe, o aprofundado sistema que permite transições defesa-ataque altamente defensivas mas particularmente ofensivas, a polivalência do defesa ofensivo e as características do pé esquerdo diametralmente oposto à mão direita do médio defensivo que calça 42.

O futebol mudou. José Maria Pedroto devia estar cá agora para saber como é que se treina e como é que é um treinador a sério. Como ensinou mal o Quinito, o Ribeiro, o Pedro e o Oliveira. E para saber como o futebol de ataque leva gente aos estádios. E como os lençóis brancos são bonitos.

Porque, que um treinador é despedido quando perde, ou um árbitro continua a apitar quando erra, já isso ele sabia.

Jorge Maia

10.26.2005

O Rua do Vento já mexe...









Para azar de uns, para regalo de outros,
para que uns se possam rir, para que outros se voltem a irritar,
para os anónimos, para os identificados,
para os que nos detestam, para os que nos acham piada,
para os que concordam, para os que discordam,
para os crentes, para os incrédulos,
para os beiramarenses, para os que se dizem beiramarenses,
para os papagaios, para os moderados,
para os ceboleiros, para os cagaréus,
para os que gostam do estádio novo, para os que querem voltar ao velho,
para os que gostam de enguias, para os que as detestam,
para os vermelhos, verdes e azuis, para os que só tem amarelo no peito,
para os que pagam cotas, para os que nunca as pagaram,
para os que nos pensavam "defuntos", para os que reclamam o nosso silêncio....

enfim para todos vós...

O Rua do Vento vai voltar,
em grande, brevemente!

Bem haja a todos os que nos visitam,

A malta do Rua do vento

10.07.2005

E a Taça....foi-se !!!


Uma no cravo, uma na ferradura.
Assim anda o nosso beira-mar!!!

Neste último jogo metemos os pés na(s) lama(s)!!


Bom, afastados que estamos desta prova, esperemos o máximo empenho de todos para assegurar uma boa prestação no campeonato.

Força beira!!!

9.29.2005

Ventos de S.Roque # 8 - Viva o Futebol...


Sei que esta minha reflexão não é politicamente correcta, mas arrisco a publicá-la neste espaço, partilhando-a convosco e pedindo que compreendam a minha indignação.

Agora, com mais tempo livre, tenho oportunidade de vêr mais televisão e normalmente em período “prime time”. Porque gosto de futebol, acompanho não só este desporto em Portugal mas também os jogos por esse mundo fora. Sei que não é culturalmente correcto e tento vêr outros programas, mas o que é que a nossa televisão nos oferece: “xxxxxxxxxxxx”.

Eu respeito as opções de cada pessoa, mas o que a televisão nos oferece, não tem nada disso, é apenas “xxxxxxxxxxxx”.

Eu olho em redor, tenho amigos, falo com muita gente e concluo que Portugal não é aquilo que as nossas tv’s nos oferecem.

C omo é possível?

Quem domina esta máquina?

Enfim, quando não há futebol na tv, tudo se torna um suplício.

VIVA O FUTEBOL …….

A Roque

Nota: Substituam os “x” por igual numero de outros caracteres e descubram a palavra correcta.