7.26.2005

Aviso à Navegação # 10 - Os Patrocínios ao SCBM

Há quarenta anos ouvia da boca dos meus pais e dos meus avós, as suas preocupações de poupança, de deixar algum de lado para qualquer infortúnio ou fatalidade, de gastar com controle, de não dar um passo maior que a perna.
Os tempos mudaram, e a nossa vivência nesta sociedade consumista, adequou-se a uma realidade nova na qual a poupança é pura utopia e o consumo galopante e desenfreado. Se alguns interiorizaram os hábitos de gastar com parcimónia e investir com cautela, muitos endividam-se aleatóriamente e sem controlo, de forma a satisfazerem desejos legítimos, que os seus salários e rendimentos não podem no imediato contemplar.

Se fossem só os particulares a embarcar neste consumismo desregulado era um mal menor.

Muito mais grave, foi o mau exemplo dado pelo Estado e pelas Autarquias Locais, que gastaram mais do que podiam e deviam, seja em despesas correntes sem controlo, ou em investimentos desnecessários, megalómanos ou de duvidosa utilidade.

Tudo isto a propósito de uma afirmação efectuada na já citada entrevista dada ao Diário de Aveiro do dia 8 de Julho, no qual se afirmava que os patrocínios ao SCBM, já estavam comprometidos, por gastos. Nada mais falso !

Nunca as Direcções presididas pelo Engº Mano Nunes hipotecaram o futuro do nosso clube, pois nunca receberam antecipadamente dinheiro de patrocionadores por conta de épocas futuras.

Entenda-se nestes patrocionadores, a PPTV (Olivedesportos), a Vulcano ou a Guialmi.
Os contratos estão assinados (PPTV e Vulcano), e são para cumprir e receber, e com a Guialmi, a sua Gerência, numa demonstração de beiramarismo, disponibilizou-se a renegociar o contrato que terminava no fim da época de 2004/2005.

Não hipotecámos o clube, como pretendem fazer crer, mas também não deixámos um baú de libras de ouro em qualquer recanto da bancada lateral do velhinho Mário Duarte.

Contudo uma pergunta se coloca, decorridos quase dois meses sobre a posse da nova Direcção, tempo suficiente para uma análise criteriosa, gostaria que me confirmassem ou não a dívida da EMA ao clube em 30/06/2005, no valor de € 541.328.

A confirmar-se, terão encontrado os 20% do Orçamento da época de 2004/2005 que nos faltaram para cumprir integralmente com todos os compromissos assumidos, e terão identificado o devedor que criou graves problemas de tesouraria ao SCBM.

João de Sousa

7.21.2005

A história do Beira-Mar

Uma instituição velhinha de oitenta e três anos, transporta na sua longevidade o querer e o sentir de todos os beiramarenses, as suas mágoas e frustações, as suas alegrias e tristezas, os risos das vitórias e as lágrimas das derrotas. Mas acima de tudo incorpora o querer e a vontade de milhares de pessoas, ciosas do seu clubismo e do amor a Aveiro e ás suas gentes.
Divulgar a história do Beira-Mar, integrando o sentir e o pulsar dos seus sócios e simpatizantes, é uma tarefa difícil mas motivadora.

Ao Dr. Delfim Ferreira, nóvel Director da área da Museologia do SCBM, desejo as maiores felicidades na concretização de uma tarefa trabalhosa e exigente, mas cujo resultado final encherá de orgulho todos os beiramarenses.

À Direcção do Beira-Mar expresso a satisfação pela qualidade e validade da ideia, na certeza de que a sua concretização contribuirá para a afirmação do nosso clube.

João de Sousa

7.19.2005

As Rajadas do Mano # 3 - Formação no Sport Clube Beira-Mar

No Beira Mar olhou-se de forma séria e dentro das possibilidades financeiras, felizmente sempre em crescendo, para a formação do clube, e nos últimos três anos ela foi evoluindo, como se prova pelo numero de internacionais que tivemos e os resultados obtidos.

Criou-se o clube satélite, para que os nossos jovens pudessem evoluir lá e aos poucos serem integrados no plantel principal. Na época 2004/2005, tínhamos 5 jovens residentes e promissores no satélite (Nuno Cruz, Marco Vale, João Paulo e Cajó ) que poderiam fazer parte do plantel e que, na perspectiva de quem sabe de futebol, dois destes poderiam muito bem , substituir os dois jovens emprestados pelo Boavista , sem pôr em duvida o valor destes , mas se os tínhamos em casa , porquê o empréstimo ? Já para não falar no Ladeira, B. Resende e Artur, ao que sei, vão ser dispensados, mas felizmente, agarrados ao clube, por contrato. Se assim não fosse, ir ia-lhes acontecer o mesmo, que de certeza, vai acontecer a Jonatan , Pinho , Nelson , Alex e Baldé , e outros que agora não me ocorrem, e que foram abandonados , e o bom dos últimos três anos desapareceu , e o plantel do Beira Mar , só vai fazer parte , o Ribeiro, que não era melhor jogador do que os atrás referidos, se o colocarmos com a idade deles.
Teve sorte de ser agarrado, e fez-se jogador, se fosse hoje, jamais o seria no Beira Mar.

Mas gritante, é o caso do Bruno Sousa, que na altura em que foi contratado, tinha clubes como o Leiria e Guimarães interessados, mas por vontade do jogador e amor ao clube, conseguimos convencê-lo a ficar entre nós com prejuízo financeiro evidente, para o atleta. Foi dos melhores, se não o melhor Guarda-redes da 2ª B.
Não tem lugar no plantel, porque foi contratado um jogador, para o seu posto, que não se sabe a qualidade, mas tem que ficar, e custa ao Clube o dobro. Enfim, politicas!!!!
Afinal o que é de Aveiro, também já não é bom.

Para terminar, vou falar do Marcelo, jovem internacional, Ponta de lança dos bons, o que é raro no futebol Português. Segundo me consta, vai para o F. Clube do Porto, pelos direitos de formação de aproximadamente 15.000,00€, nós, sem “bênção Papal “, transferimos o Cristóvão para o mesmo clube, por 50.000,00€, mais 50.000,00€ se ele viesse a integrar o plantel principal. Imagine-se, por quanto ele iria, se a nossa direcção tivesse ido à “ bênção “?

Esta direcção, que é tão dada a diálogos, ainda não se dignou a falar com alguém da direcção cessante, para se inteirar do mais pequeno pormenor do clube, o que é pena, porque com isto, quem perde é o Beira Mar.

Somos todos defensores da mesma causa, e todos nós queremos o melhor para o nosso clube. Da minha parte terão todo o apoio, e desejo-lhes as maiores felicidades e grandes êxitos desportivos, mas jamais permitirei, que andem a passar “inverdades , no Boca a Boca “, fazendo-se de vitimas, quando se candidataram livremente e encontraram o clube solidificado financeiramente. Crises de tesouraria, sempre houveram no clube, e também sempre houve quem se atravessasse nessas crises. Se recebessem o que devem ao clube, não havia necessidade ….

Não posso passar sem lhes deixar uma mensagem, que é uma máxima no futebol:
“- Dirigente é para dirigir, treinador para treinar e jogador para jogar “

Mano Nunes

7.18.2005

Aviso à Navegação # 9 - Os Activos do Beira-Mar

No Diário de Aveiro do passado dia 8 de Julho, O Vice-Presidente do Sport Clube Beira-Mar Sr. José Cachide, a uma pergunta do jornalista sobre a detenção pelo Clube de algum activo, respondia:
“É relativo falar em activo, porque tem sempre o valor dos jogadores. Mas em termos líquidos, por aquilo que me dá a perceber, não vejo onde está o activo”.
Li e reli a resposta e fiquei estarrecido com a leviandade da dita, pois não é preciso pensar muito para enunciar um conjunto valioso de activos detidos pelo clube. Senão vejamos:
* A sede social na Avenida Dr. Lourenço Peixinho;
* O pavilhão gimnodesportivo no Alboi;
* O complexo de piscinas;
* As benfeitorias no velhinho Estádio Mário Duarte;
* Os serviços administrativos no novo Municipal de Aveiro;
* O parque automóvel do clube, “velhinho” mas funcional;
* Todo o mobiliário, equipamento e rede informática.
Listagem significativa de um leque substancialmente maior, no qual se devem incluir as dívidas da EMA e da Câmara Municipal de Aveiro, que em 30/06/2005 ascendiam a mais de 580.000 €.

O desconhecimento do Sr. José Cachide da detenção destes activos, seria desculpável pelo seu passado recente no clube, mas o que dizer do seu não reconhecimento dos dois mais importantes activos do clube:
* Os funcionários e colaboradores, essenciais ao seu funcionamento e projecção;
* Os sócios, de quem o Clube emana e para quem trabalha.
Para uma Direcção que em campanha dizia, “Um Beira-Mar para os sócios”, começa bem!
João de Sousa

7.17.2005

E vão 1000 visitas reais....

É com agrado que vemos ultrapassadas as 1000 visitas reais a este espaço de discussão em tão pouco tempo.
No dia 7 deste mês constatavamos as 500 visitas reais, hoje passamos as 1000.
O blog foi criado a 14/6 mas nessa altura ainda não tinha contador. No dia 28/6 conseguimos colocar um contador e atribuimos o numero de "arranque" em 188 visitantes.

Agradecemos as vossas visitas, comentários, criticas e opiniões para manter este espaço vivo.

Reforço o apelo: que sejam feitas ou apresentadas com identidade e respeito.

Saudações da Rua do Vento

7.15.2005

As Rajadas do Mano #2 - Pesadelo

Sonho que estou no “ Mário Duarte “ para ver mais um jogo do meu Beira Mar, ansioso por ver a nova equipa e para sentir o fervor dos adeptos doentes como eu.

Entradas as equipas em campo …

Eis que sou meio despertado, por uma espécie de deflagração de uma granada “ morteiro 60 “. O meu Beira Mar deixou de ter a cor preta nos seus equipamentos ?! Camisola amarela com calções brancos e meias azuis!!!

Continuo atordoado, mas ao ser acordado pelos gritos de revolta dos nossos fundadores e BEIRAMARENSES, já falecidos, vejo claramente o equipamento, as meias não são azuis, mas amarelas. Do mal, o menos, pois lembrei me logo da bandeira de um partido politico o “ C.D.S. “.

O choque não passa e não consigo gritar a revolta como todos os presentes no estádio, e os que se ergueram dos túmulos. Os jogadores olham amedrontados sem saber o que se passa. Os Auri Negros esbracejam e tentam gritar, mas não se fazem ouvir como é habitual.

O Estádio estava a abarrotar com gente do nosso clube, coisa nunca vista e só seria possível ver uma situação parecida, se se tivesse levado a festa da Taça para o Estádio, mas aí, havia alegria, loucura, fervor “ clubistico “ e orgulho. Hoje sentíamos frustração, falta de respeito e pouco sentir pelo nosso clube.

Quem foram os inventores desta barbárie? Quem autorizou quem, a fazer isto? Que motivações levaram a tomar esta medida? Tudo isto me passou pela cabeça, e a única explicação que encontrei momentaneamente foi a seguinte:

- Medida bacoca, provinciana, e cheia de complexos de inferioridade em relação a Coimbra. Os autores deviam ter tido um trauma tão grande na infância, que ao crescerem o fundamentalismo cresceu com eles, e tornou-os nesta espécie de “ Yatolas”. (Coitados, caíram do berço…!!!)

Sejamos orgulhosos e gritemos todos:
- A Académica são os morcegos, e o Beira Mar , são os Auri-Negros .
Só uma cor nos pode equiparar, de resto nós somos de Aveiro e eles são de Coimbra.

- “ Auri-Negros, sempre! “

Esta frase feriu-me os tímpanos como o faria uma bomba de avião, e senti-me aliviado, o pesadelo tinha acabado e o meu Beira Mar, lá vinha com suas cores, amarelo e preto, todo altaneiro e orgulhoso do seu percurso de mais de 80 anos cheios de glória.

Vou juntar-me á claque no próximo joga e cantar com eles, feliz da vida.
- QUEM NÓS SOMOS ??!!... QUEM NÓS SOMOS ???!!!...
- BEIRA –BEIRA OLÉ !! OLÉ !! - BEIRA –BEIRA OLÉ !! OLÉ !!

Mano Nunes

7.14.2005

Tachos ao Vento # 1

“Tachos ao Vento” será a nossa crónica mensal sobre a arte de bem comer e beber (não se confunda com comer ou beber muito) na Região de Aveiro.



Neste espaço destacaremos os aspectos positivos e também os negativos dos locais visitados pela turma do “Rua do vento” (e seus convidados, em algumas ocasiões) nos seus jantares mensais, que percorrerão restaurantes da nossa Região de Aveiro, mantendo esta tertúlia viva, em que o tema principal das conversas será, inevitávelmente, o Sport Clube Beira-Mar.
Desta forma pretendemos divulgar aos nossos “visitantes” o que de bom se faz na nossa região e, ao mesmo tempo, alertar para eventuais “barretes gastronómicos” uma vez que não temos qualquer compromisso publicitário ou de fidelização com nenhum dos establecimentos a visitar.

Neste sentido, ontem dia 13, estava marcado o nosso primeiro jantar oficial e calhava-me a mim escolher e organizar tão interessante evento.
Consciente da responsabilidade, não me foi muito dificil escolher o primeiro local pois reunia vários atributos válidos para merecer tal previlégio: cozinha regional caseira, local genuíno (sem pretenções ou pseudo-regionalismos) e tranquilo e recatado como se pretendia. Acresce que neste local, pelas mãos da D. Dina, são confeccionadas certamente as melhores enguias da região (com todo o respeito por outros bons “chefs” da especialidade), escolhidinhas a preceito, da zona da Murtosa. E assim levei a turma do “Rua do Vento” ao “Tanoeiro” em Angeja, bem no centro da vila.
É um estabelecimento genuinamente modesto, onde os petiscos regionais marcam presença – leia-se: bolinhos de bacalhau, iscas de fígado de cebolada, carapauzinhos de escabeche, enguias, entre outros – a qualquer hora do dia, sempre acompanhados de vinho caseiro escolhido pelo Sr. Manuel.
Não é uma casa muito dedicada a almoços e jantares, mas para conhecidos ou por marcação, quem lá for não se arrependerá certamente. Mas um lanchinho também vai bem, de vez em quando, e para isto não é preciso “marcação”.
Sem preconceitos e em ambiente familiar, deliciamo-nos com umas enguias fritas de entrada (só comemos ate... acabarem) e depois um caldeirada “das mesmas” acompanhada por um tinto caseiro da zona de Palmela (não do “Palmelão”, garantidamente!) que estava deliciosa. Não houve coragem para sobremesas (não é a especialidade da casa, mas nunca faltam lá uns pasteizinhos de agueda, frescos, ou um queijo de fatia para enganar).
Pois não consegui convencer os meus colegas de ofício a provar os rojões que também são de chorar, feitos à moda antiga, acompanhados de umas batatas cozidas com a pele, salteadas no pingue dos rojões com um pouquinho de alho, pois diziam “já não havia espaço”! Ficará para outra oportunidade.
O único inconveniente do “Tanoeiro” é que a qualidade... paga-se! E se um lanche até fica “em conta”, a refeição por encomenda não se pode definir propriamente como “económica”. Mas há prazeres que merecem o sacrifíco do seu custo.

Bom apetite,
André Apolinário

Aos Ultras Auri-Negros pelo seu 5º Aniversário

Caros Ultras,

Cinco anos! Parabéns.
Sinto orgulho em ter pertencido à direcção do Sport Clube Beira Mar que viu nascer a Associação Ultras Auri-Negros.
É com orgulho quando no mundo do futebol se fala de claques, os Auri-Negros são referenciados como dos mais organizados e mais interventivos.
As claques são a alma do futebol. Não é possível conceber este espectáculo sem a coreografia e os cânticos das claques. Os Auri-Negros tiveram tudo isso acrescido de uma enorme responsabilidade dos seus dirigentes.
As claques são normalmente irreverentes, frontais, enérgicas, impulsivas, encorajadoras… e como tal, massa critica importante para qualquer clube. Os Auri-Negros assumiram essa responsabilidade, criticando quando se justificava, apoiando quando necessário.
Senti-me profundamente honrado em ter sido distinguido como “Ultra de Mérito”. É com orgulho que exibo esse diploma que entenderam atribuir-me. Revejo-me normalmente nas vossas atitudes.
Foram fantásticos nestes cinco anos, espero e desejo que continuem com estas virtudes.
O Sport Clube Beira Mar está-vos gratos.
O " Rua do vento" e os seus autores desejam-vos felicidades e esperam que o vosso trabalho continue a merecer a distinção até agora reconhecida.
Obrigado.
Um abraço,
Alberto Roque

7.13.2005

As Rajadas do Mano # 1 - O Gestor do Croquete

Nos anos 60, nasceu entre as Areias do Pilar e as areias do mar, o menino que se tornou num subproduto tão em voga nos dias de hoje. Saltitou entre o local de nascimento e Espanha o que lhe valeu uns valentes sustos com os “carabineiros” de nuestros Hermanos.
Mas graças à sua essência e local de nascença, habituou-se a mover-se em terrenos movediços passando a ser um verdadeiro contorcionista. Qual ave rara de arribação, volta ao local de nascimento e por obra e graça do B.S., foi eleito gestor de uma empresa recém criada para fazer um palco de eventos, de toda a espécie e até de “chutos na bola”.
Rolam milhões dos bolsos de todos nós e sobram dejectos do asinino.
Mas como é hábito no nosso País assim nasceu mais um gestor público denominado de “Migas“ pelos seus companheiros de escola.
Numa tertúlia de amigos, recordando tempos idos, eis que salta o nome do Migas, e o Bítel com o seu ar de revolucionário perdido diz:
- Como é possível o Migas gestor?! Não há dúvidas que o 25 de Abril, criou e originou que muitos “abortos” subissem na vida à custa do “Zé Pagode” e dos tachos que os mais bem colocados vão arranjando.
O Baz bonacheirão e prazenteiro atalhou:
- Tu querias que o B.S. que por norma escolhe pessoas competentes, metesse num projecto destes alguém que lhe fizesse sombra. Quanto pior melhor. Conhece bem a peça pois foi colega do carteiro.
O Bill compenetrado e amarfanhado no seu ego diz:
- Pois é! Nós falamos e vivemos carregados de ideais, e somos competentes, e quem aparece na TV e jornais é ele com o capacete de mestre-de-obras, sempre ufano ao lado de Ministros e “gajos estrangeiros”, e é ele que ao fim do mês leva as lecas para casa e segundo dizem três mil e quinhentos ou quatro mim euros por mês. Quem diria?! – O Carlitos sempre gozão exclama:
- Só!! E o resto. Se ele ficasse com os euros de vencimento e me desse o restante não me chateava mais. - O Bítel conhecedor do metier vocifera:
- O nojo que ele mandou fazer com materiais de ultra-refugo, dentro de dez anos vão custar na sua manutenção mais uns milhões de euros ao pagode. O palhaço nem se quer se deu ao luxo de ir visitar o “Calhabé” para ver a diferença. - O Baz gozão:
- O Migas é o maior, tornou-se motoqueiro vai a Lisboa de mota tomar café e dar um beijo à Bia, volta de trem e até pensa. Que cromo! Até escreve nos jornais da Terra.
O Rodas ainda abalado e nostálgico dos tempos de M.R. dispara:
- Pois é, eu é que fui corrido pelo B.S. e este artista com tanto disparate tem sido seguro pelo colarinho até que os dois se despenhem. Parece o dono do Palácio, inventa festas que só dão prejuízo e até casórios quer fazer. Diz mal dos futeboleiros e dos contribuintes que lhe pagam para não fazer nada de jeito. O melhor que ele sabe fazer é fiscalizar as cozinhas para ver se os croquetes saem bons. Deve ser um maníaco do croquete.
Todos em uníssono:
- Não pá, é o “Gestor do Croquete”.
Risada geral e o Bill, triste e amargurado, murmura:
- Vamos beber mais um copo. O Migas é tão insignificante que não merece que a gente perca tempo a falar dele. Espero que arranje algum do seu tempo para se lembrar que tem pai e mãe em Pilar. Eles mereciam melhor, mas a gente pode escolher os amigos mas os filhos e familiares impõem-nos.
Emudecidos dirigiram ao “Ali-Toca” e beberam e cavaquearam de tudo e de nada para esquecer a vulgaridade da vida que na juventude não sonhavam que ainda persistisse nesta sua meia-idade.

Trabalho encomendado a Produções Malícias, qualquer semelhança com a realidade é pura especulação ou coincidência.

Mano Nunes