Nos anos 60, nasceu entre as Areias do Pilar e as areias do mar, o menino que se tornou num subproduto tão em voga nos dias de hoje. Saltitou entre o local de nascimento e Espanha o que lhe valeu uns valentes sustos com os “carabineiros” de nuestros Hermanos.
Mas graças à sua essência e local de nascença, habituou-se a mover-se em terrenos movediços passando a ser um verdadeiro contorcionista. Qual ave rara de arribação, volta ao local de nascimento e por obra e graça do B.S., foi eleito gestor de uma empresa recém criada para fazer um palco de eventos, de toda a espécie e até de “chutos na bola”.
Rolam milhões dos bolsos de todos nós e sobram dejectos do asinino.
Mas como é hábito no nosso País assim nasceu mais um gestor público denominado de “Migas“ pelos seus companheiros de escola.
Numa tertúlia de amigos, recordando tempos idos, eis que salta o nome do Migas, e o Bítel com o seu ar de revolucionário perdido diz:
- Como é possível o Migas gestor?! Não há dúvidas que o 25 de Abril, criou e originou que muitos “abortos” subissem na vida à custa do “Zé Pagode” e dos tachos que os mais bem colocados vão arranjando.
O Baz bonacheirão e prazenteiro atalhou:
- Tu querias que o B.S. que por norma escolhe pessoas competentes, metesse num projecto destes alguém que lhe fizesse sombra. Quanto pior melhor. Conhece bem a peça pois foi colega do carteiro.
O Bill compenetrado e amarfanhado no seu ego diz:
- Pois é! Nós falamos e vivemos carregados de ideais, e somos competentes, e quem aparece na TV e jornais é ele com o capacete de mestre-de-obras, sempre ufano ao lado de Ministros e “gajos estrangeiros”, e é ele que ao fim do mês leva as lecas para casa e segundo dizem três mil e quinhentos ou quatro mim euros por mês. Quem diria?! – O Carlitos sempre gozão exclama:
- Só!! E o resto. Se ele ficasse com os euros de vencimento e me desse o restante não me chateava mais. - O Bítel conhecedor do metier vocifera:
- O nojo que ele mandou fazer com materiais de ultra-refugo, dentro de dez anos vão custar na sua manutenção mais uns milhões de euros ao pagode. O palhaço nem se quer se deu ao luxo de ir visitar o “Calhabé” para ver a diferença. - O Baz gozão:
- O Migas é o maior, tornou-se motoqueiro vai a Lisboa de mota tomar café e dar um beijo à Bia, volta de trem e até pensa. Que cromo! Até escreve nos jornais da Terra.
O Rodas ainda abalado e nostálgico dos tempos de M.R. dispara:
- Pois é, eu é que fui corrido pelo B.S. e este artista com tanto disparate tem sido seguro pelo colarinho até que os dois se despenhem. Parece o dono do Palácio, inventa festas que só dão prejuízo e até casórios quer fazer. Diz mal dos futeboleiros e dos contribuintes que lhe pagam para não fazer nada de jeito. O melhor que ele sabe fazer é fiscalizar as cozinhas para ver se os croquetes saem bons. Deve ser um maníaco do croquete.
Todos em uníssono:
- Não pá, é o “Gestor do Croquete”.
Risada geral e o Bill, triste e amargurado, murmura:
- Vamos beber mais um copo. O Migas é tão insignificante que não merece que a gente perca tempo a falar dele. Espero que arranje algum do seu tempo para se lembrar que tem pai e mãe em Pilar. Eles mereciam melhor, mas a gente pode escolher os amigos mas os filhos e familiares impõem-nos.
Emudecidos dirigiram ao “Ali-Toca” e beberam e cavaquearam de tudo e de nada para esquecer a vulgaridade da vida que na juventude não sonhavam que ainda persistisse nesta sua meia-idade.
Trabalho encomendado a Produções Malícias, qualquer semelhança com a realidade é pura especulação ou coincidência.
Mano Nunes